Sunday, July 29, 2012

Maria Mole

Tenho refletido muito, pensado na vida, no futuro e nas possibilidades. Pensando nas alternativas, nos caminhos. E fico cada vez mais dividida.
Quero uma alma gêmea, um parceiro de vida, um companheiro de jornada. Alguém que me entenda, me respeite e me ame.
Quero, aos 40, um contos de fadas, um amor de verdade.
E por algum tempo, achei que tinha, se não tudo, pelo menos a história bonita,o conto de fadas. Mas com a traição de Raimundo, todas as histórias parecem mentira, parecem falsas, parecem história prá boi dormir, como bem dizia a minha avó.
Hoje a menor decepção me parece irremediável, a alfinetada me parece uma nova facada. Não tenho mais nenhuma resistência para as desilusões.
Eu tenho certeza que um dia eu vou ser o sol na vida de algúem. E espero que ele seja o meu sol também.

Ah raimundo, ás vezes tenho certeza que não é você...

Tuesday, June 26, 2012

Enroscou o disco, Maria?

Tenho vontade de ser feliz, de cantar, de pular e de saltitar mundo afora, rindo de tudo e de todos.
Ao invés disso, passo meus dias embaixo dos cobertores, dormindo para evitar o dia. Dormindo para não pensar. Dormindo para o tempo passar.
Mas o tempo se arrasta. As indecisões tomam conta da nossa vida todos os minutos. Não há certezas, não há garantias. E há muito tempo não há tesão.
Não há tesao de viver, nem de compartilhar. Não há tesão.
E eu choro. Soluço. Sofro.
Eu não vejo futuro, não tenho esperanças. Tenho dentro do peito a dor do mundo inteiro.
Raimundo há dois anos saiu com prostitutas. Juro. Aquelas mulheres que fingem gostar de você por dinheiro. Que fingem prazer, que fingem que o seu pau é grande.
E você escolhe, paga e pronto.
Pois Raimundo foi lá, escolheu, pagou e gozou. E de lambuja arrastou 15 anos de casamento pro ralo.
Hoje ele se diz arrependido, chora as mágoas, diz que faria tudo diferente se pudesse voltar no tempo. Mas tanto ele como eu sabemos que o tempo não volta atrás, que não há como apagar, não há o que fazer.
As marcas estão lá. as feridas não cicatrizaram. Elas doem, doem e doem um pouco mais.
E eu passo o dia encorujada embaixo das cobertas, imaginando que se eu ficar quietinha, se eu nao me mexer, todas essas imagens vao deixar de existir.

Wednesday, June 13, 2012

Eu quero sair daqui!

Estou numa grande sinuca de bico. meu coração e minha razão estão andando em sentidos diferentes.
Ontem tivemos a discussão sobre as nossas férias. Assunto banal, superficial e na opinião da maioria das pessoas, irrelevante.
Férias para nós, sempre tiveram uma conotação importante. Nós sempre tivemos o maior prazer em conhecer, explorar, visitar!
E um dos meus grandes orgulhos era o fato de nós viajarmos muito bem  juntos. Viajar junto é uma arte. Não é prá qualquer um, mas nós dois conseguimos fazer do nosso tempo juntos um prazer, uma alegria! Infelizmente hoje, isso é coisa do passado.
O problema é que há 4 anos, só viajamos com os pais de Raimundo. Todo ano, a prioridade é ver onde vamos com eles, e depois damos uma escapadinha sozinhos. A nossa viagem não é mais prioridade, não ocupa o palco. E eu não tenho voto.
Viajar para onde Raimundo bem entende, com os pais, é o grande foco dele. Eu sou acessório, sou adendo, sou pinduricalho. A viagem é dele. A viagem é deles.
Eu gosto de ir para lugares exóticos. Raimundo prefere os Estados Unidos e a Europa. Eu gosto de aventuras, raimundo gosta de cultura.
Nos ultimos 4 anos, visitamos os Estados Unidos duas vezes e fomos a Europa outras três. Sempre acompanhados da família dele.
Esse ano, tentando colocar a casa em ordem ( e se esforçando para ajeitar esse casamento que anda quebrado), raimundo decidiu que nós vamos para onde eu quiser, que ele não vai chamar os pais, e que ele pode passar três semanas só comigo.
Durante essa conversa, chorei feito um bebê.
Viagens, que sempre foram a minha grande alegria, se transformaram agora em motivo de tristeza, de sofrimento e dor.
Há tempos decidi que vou passar um mês na Ásia - sem Raimundo. Assim ele pode ir se encontrar com os pais, viajar para onde bem entender. E eu não preciso ser parte disso.
Como eu tenho todo o tempo do mundo livre, desempedido e disponível, esse mês não afetaria as possíveis férias com ele.
Meu cérebro está em festa. raimundo decidiu olhar para mim, resolveu viajar comigo, me colocar a frente dos seus planos.
Raimundo diz que nós podemos ir para onde eu quiser, quando eu quiser e que se eu preferir que ele não viaje com os pais ( mesmo quando eu estiver na Ásia, não tem problema, ele não viaja).
Mas enquanto meu cerebro comemora, meu coração sangra.
Como é que ele pode achar que eu não quero que ele veja a família dele? De onde ele tirou a idéia de que eu quero afastá-lo deles?
Não quero. Nunca quis. Quis, num passado não muito distante ser importante, ser parceira, ser cúmplice. Ser a prioridade, ser o núcleo.
Não fui nada disso. Fui traída, fui enganada e fui feita de boba.
Hoje ele quer viajar comigo. Mas eu não quero mais viajar com ele.

Tuesday, June 5, 2012

Deprê, Maria?

Minha terapeuta jura que eu ando dormindo o dia inteiro por que os problemas só acontecem durante o dia, e dormindo eu os evito!
De louca ela não tem muito, né?
A verdade é que além de torcer, esperar e rezar ( que agora eu dei pra fazer também), não me resta muito o que fazer. Além de ir á terapia. Duas a três vezes por semana.
Com a crise política do país, o instituto onde o raimundo trabalha está indo de mal a pior. Cortes salariais, um clima de merda, uma situação praticamente insustentavel.
E nós temos que tomar as nossas decisões imediatamente, por que a escola quer saber se vamos ficar com as vagas das meninas, o senhorio precisa saber se precisa de outra familia para alugar a casa, minha empregada precisa de outro emprego...
E nós não sabemos nem o que vai ser danossa própria vida, como vamos poder cuidar da vida dos outros?
Enquanto isso, eu durmo. O dia inteiro.

Monday, June 4, 2012

Progresso, Maria?


Talvez hoje seja um marco na minha tragetória, talvez hoje eu tenha sem querer, dado um passo a caminho da minha liberdade interior. Talvez eu esteja alguns centímetros mais perto da paz.
Raimundo dormia ao meu lado. Ha semanas tenho insônia, nada me faz acalmar e pegar no sono. Passo noites em claro e só consigo adormecer depois das 5 da manhã. Diariamente.
Minha terapeuta diz que a noite os problemas não acontecem, então não é perigoso ficar acordada. Já durante o dia, quando os lobos e os maus estão á solta, tudo é diferente.
Ela tem razão. Danada essa minha terapeuta. Sabida como ninguém.
Mas hoje, apesar das noites insones e das dúvidas que me atormentam, tive um sentimento novo a brotar no meu coração.
Enquanto Raimundo dormia, notei a tristeza em seu rosto. E fiquei atormentada pela sua dor.
Pela primeira vez em dois anos, a dor de raimundo me atingiu, me feriu.
Já tive raiva, ódio e rancor. Depois senti muita mágoa, uma dor lancinante. Aos poucos eu achei que caminhava para a indiferença - meu grande objetivo.
Mas hoje, acho que tomei o caminho errado, entrei sem querer num desvio da minha trajetória e estou um passo mais perto de desejar que ele seja feliz.
Talvez seja isso. Não seja mais só a minha própria felicidade a me preocupar. Talvez eu hoje queira que Raimundo seja feliz também.
Comigo ou sem mim.
Não importa.

Wednesday, May 30, 2012

Memórias que me perseguem


Sou casada há 17 anos. Meu casamento, como tantos outros que eu conheço, passou por altos e baixos, passou por chuvas e trovoadas e continuou, altivo, o seu caminho.
Mas isso é, na verdade, coisa do passado.
Há mais ou menos um ano e meio sofri o maior baque da minha vida. Raimundo, o homem com quem tenho trilhado essa caminhada, se apaixonou por outra mulher.
Fiquei sabendo da forma mais medíocre e mais comum possivel. Ele escreveu um e mail abrindo o seu coração a um amigo, e num ato falho, me entregou o i-pad, com esse mesmo e mail aberto.
Em principio, achei que esse amigo comum tinha nos mandado um e mail coletivo, e Raimundo, preguiçoso, preferiu me dar o e mail no computador dele, a reenviá-lo para mim.
Lêdo engano.
Já nas primeiras linhas do e mail, percebi que não era nada daquilo. Raimundo se dizia platonicamente apaixonado, dizia que estava preparada para largar a familia - isso mesmo, EU e as duas filhas e partir em busca dessa aventura. O único inconveniente é que essa mulher não lhe dava bola. Ñem notava a sua existência.
O amigo( que até então eu julgava amigo comum), respondia que ele era na verdade um cara de sorte, que depois de viver um casamento sem graça, uma rotina besta, lhe caá do céu a oportunidade de viver um romance, um amor, uma paixão.
Falava ainda da inconveniencia que era ter filhos, não que ele os tivesse, mas achava que coisa boa não poderia ser.
Eloquentemente discorria sobre as maravilhas da paixão e das oportunidades que se abriam, mesmo sendo Raimundo um quarentão. Veja bem, Raimundo, você está envelhecendo, talvez essa seja a sua última chance de ser feliz.
Tive falta de ar. Não, não é figura de linguagem. O ar literalmente me faltou e eu fui parar no hospital, pela primeira vez em 40 anos, fui parar num aparelho de inalação.
Ali, naquele dia 7 de fevereiro, não era so o ar que me faltava. Me faltavam respostas para centenas de perguntas, me faltava força e energia para lidar com a  situação e me faltava chão.
Há 17 anos, ouço que somos muito diferentes, que ninguém entende como esse casamento pode dar certo. Como é que duas pessoas tão diferentes conseguem viver e conviver durante tantos anos?
E eu, sempre fui a Maria das cores, a Maria das festas e a Maria do riso fácil. Sempre fui a alma das rodinhas, sempre fui referência.
Raimundo é um cara pacato, na dele, tranquilo. Raimundo vive trancado em si mesmo. Há muito desisti de tentar tirá-lo do casulo. raimundo é assim, fechado.
Se houvesse uma enquete e perguntassem para todas as pessoas que nos conhecem quem é que se enrabicharia por outra pessoa, tenho certeza que as respostas seriam unanimes. Maria, claro.
Mas Maria nao se enrabichou por ninguém. Maria passou 17 anos recusando convites indelicados de homens mal intencionados. Maria não via ninguém além de raimundo. Mesmo com suas diferenças, mesmo com seus conflitos, Maria estava ali para ficar.
Em 7 de fevereiro de 2011 meu mundo caiu, meu chão desapareceu, minha vida mudou.
E hoje eu não sei o que fazer com ela.
Lá se vão um ano e quatro meses. Já se foram muitas lágrimas, muitas tentativas de recomeço, alguns pedidos de perdão e muitas promessas.
Mas a imagem de Raimundo desbotou aos olhos de Maria. Ele já não é o mesmo, ele não tem o mesmo charme, e para dizer a verdade, não tem mais encanto nenhum.
O príncipe de Maria virou sapo. E ela não quer tentar beija-lo pra ver se o feitiço se quebra.
Maria talvez comece a procurar uma casa num brejo, para o sapo se sentir mais a vontade.

Sunday, May 27, 2012

O que eu faço com as feridas antigas?





Há tempos eu estou numa encruzilhada, na mesma encruzilhada. Há tempos não sei o que fazer.
Tento nadar contra a maré, me firmar em terras seguras, mas não creio na firmeza das rochas. Não vejo futuro. Não vejo um caminho de felicidade ao lado de Raimundo.
Vejo apenas o dia a dia, a obrigação de educar as crianças, de manter uma casa saudável para elas.
E com isso, temo ensiná-las que correr atrás da própria felicidade é secundário, que não importa, que não vale a pena.
O beco sem saída se estreita, e eu tenho medo.
Temo por mim, temo pela minha cria.Nào temo por Raimundo. Há tempos entendi que ele traça seu caminho sozinho, sem precisar ou querer compania.
A sua estrada deve ser muito triste, Raimundo.
Tenho pena de você. E pena de mim por me deixar enjaular.

Friday, May 18, 2012

Maria bipolar?


Ando numa ansiedade maluca. Sei que o melhor para a minha família é ficar junta, unida e feliz. Mas muitas vezes não consigo brincar de casinha, não consigo fazer de conta que tudo está bem.
Para o Raimundo, não existe nenhum problema além do possível desemprego.
Tudo está um mar de rosas, uma alegria só.
E eu passo do amor ao ódio em minutos. Vou do desprezo á vontade de ficar junto em um segundo.
Fico confusa, a dor ainda me atormenta.
Reinventar uma relação de 17 anos não vai ser nada fácil. Fingir que ela ainda é a mesma, é impossível.
Hoje, vamos ter que retraçar nossos caminhos, redefinir nossas metas. Renascer das cinzas.
Maria-Fenix?

Wednesday, May 16, 2012

Muitos caminhos de Maria



Estou me sentindo numa encruzilhada. Daqui a 3 meses, acaba o contrato do Raimundo e já sabemos que as condições do novo contrato não são suficientes para nós sobrevivermos nesse país.
O problema é que eu não me sinto confiante em recomeçar a minha vida, mais uma vez, ao lado dele, em outro país, em um lugar estranho.
Sinto que eu não tenho mais vontade de investir o meu tempo nele, na carreira dele, nos planos dele, nos sonhos dele.
Depois do grande baque que eu sofri com a traição dele, não tenho nenhuma confiança no nosso futuro juntos, não tenho nenhuma certeza de que esse investimento é, na verdade, um negócio seguro.
Sempre vi a nossa relação como uma sociedade, o que era bom para um de nós, era com certeza bom para os dois.
Mas hoje eu sei que ele pode simplesmente virar as costas e ir embora, como quase foi há dois anos atras. Ele não foi. Mas poderia ter ido. E quis ir. Se não foi, foi simplesmente por que não foi correspondido na sua fantasia maluca.
Ah...não contei? Raimundo se apaixonou por outra mulher, fez planos de me deixar, sonhou com uma vida feliz e cor de rosa ao lado de outra pessoa que nunca nem notou a sua existência.
Depois se arrependeu e ficou comigo. Como se eu fosse sobra de feira, como se eu fosse o que sobrou do jantar de ontem.
A dor está longe de ir embora, está longe de passar. E se eu aceitei a situação, foi muito mais como mãe do que como mulher. por que as minhas filhas não tem culpa de nada e não merecem pagar por um crime que não cometeram. Em alguns poucos anos, as duas vão para a faculdade e a situação muda completamente.
E hoje eu me vejo aqui, nessa encruzilhada, tentando juntar forças para mais essa jornada, para mais essa etapa da nossa vida juntos, apesar da confiança me faltar, eu vou dar mais esse passo. Pelas minhas filhas. Pelas minhasfilhas.

Monday, May 14, 2012

Faz tempo, Maria




Já faz um mês que não venho aqui, que não lambo as minhas feridas, que não dedico tempo ás minhas dores. Não que elas tenham desaparecido. Ás vezes acho que elas não vão desaparecer nunca. rezo para estar errada.
Recentemente meu marido tem me feito declarações diárias de amor.
E eu não sinto nada quando as ouço.Para mim elas sao palavras vazias, sem sentido e sem nexo. me pergunto até por que ele está dizendo essas coisas.
Há pouco tempo atrás essas mesmas palavras teriam caído em terreno fértil e teriam sido bem recebidas. Hoje não passam de palavras jogadas ao vento.
Me esforço para sorrir e agradecer.E torço para ele não notar o vazio nos meus olhos...

Thursday, April 12, 2012

Mais um dia de Maria




A vida tem corrido sem grandes sobressaltos. Um dia de cada vez, sem grandes alegrias e sem grandes tristezas.
Hoje foi a despedida da chefe do meu marido.
A mulher por quem ele se apaixonou ha um ano atras. A mulher por quem ele queria largar a familia, o casamento, tudo.
A mesma mulher para quem ele nunca conseguiu se declarar.
Hoje foi o ultimo dia dela no trabalho. E a mim, so restou perguntar se ele tinha ido se despedir.
Foi.
Disse que chegou nos ultimos 15 minutos da festa ( la no trabalho mesmo). Pediu desculpas por estar atrasado. Ela agradeceu por ele ter ido.
Ela nem imagina o estrago que essa "paixonite fantasia" criou na nossa vida, na minha vida.
Eu so sei que hoje, aquele buraco que eu trago no peito e que eu tento por que tento fechar, se abriu de novo. As lembrancas vieram a tona, as magoas ressucitaram.
E eu nao sei o que fazer com todos esses sentimentos ruins, com todas essas memorias doloridas.

Sunday, April 1, 2012

Terapia, Maria?



A impressao que eu tenho e que hoje em dia todo mundo toma antidepressivos. Ou se autoflagela. Ou as duas coisas.
Eu ainda nao cheguei nesse estado, espero nao chegar.
Confesso que muitas vezes nao tenho animo de sair da cama - passo o dia escondida embaixo das cobertas. Nao atendo o celular e so desentoco quando tenho que levar ou buscar filho aqui ou ali.
Tambem nao sou boba. Sei que isso e sintoma de depressao - mas nao vou tomar antidepressivos enquanto eu puder sair da cama quando "precisar".
Quando eu comecar a esquecer filho na escola, nao aparecer para trabalhar quando tiver hora marcada ou deixar de cumprir com os meus deveres, ai eu assumo a depressao e topo ate tomar Prozac na veia ( existe isso?)

Hoje Raimundo e eu fomos a terapia. Foi dificil - mas eu tenho alguma esperanca de que as coisas mudem para melhor.
Vou dormir com o coracao buscando uma solucao feliz para nos quatro, para a nossa familia.Espero que ela nao tenha que se separar.

Mais um dia na vida de Maria

Acordei cedinho, mesmo sem o despertador tocar, mesmo sem ter nenhum compromisso durante o dia.
As criancas estao em ferias, eu nao tenho nenhum trabalho para fazer.
Abri os olhos e percebi que raimundo estava se aprontando para o trabalho - fechei os olhos correndo, para ele nao me ver acordada. O bolo no estomago continua. A dor nao diminuiu.
Tive sonhos confusos. Esqueci o cofre aberto, alguem poderia rouba-lo. Voltei correndo para casa.
Nao entendi o significado do sonho, mas sei que havia muita angustia.
Antes de sair do quarto ele me deu um beijo na testa, como faz todas as manhas.
O beijo me fez sentir bem.

Saturday, March 31, 2012

Tudo acontece muito rapido

Eu me sinto num grande turbilhao, sem ter controle da minha propria vida, sem saber o que o destino me reserva.
Eu moro no exterior. Nos todos moramos. Eu, marido, e as duas filhas. E nao pretendemos voltar ao Brasil. Juntos ou separados.
Hoje a situacao naoe sta muito boa no pais onde vivemos e temos que tomar algumas decisoes urgentes.
Decisoes estrategicas que vao definir boa parte do nosso futuro nao podems er tomadas em meio a esse redemoinho de emocoes e sentimentos.
Mas o tempo e cruel. Ele nao espera.O relogio continua correndo.
Meu marido, que vou chamar Raimundo, decidiu que nao quer mais viver aqui. Nao gosta, nao quer, nao vai.
Simples assim.
E mais uma vez a minha opiniao nao importa, nao interessa.
Hoje, durante a nossa briga, ele tomou a sua decisao:
- Com emprego ou sem emprego, vou embora daqui. Vou estabelecer uma data limite e vou embora!
Com a sua decisao tao firme, ele tomou uma por mim tambem. Sem emprego, eu tambem vou embora - mas nao vou com ele.
Depois de 17 anos, pela primeira vez eu vou fazer valer os meus sentimentos e as minhas emocoes. Se ele vai comigo ou sem mim, vou tornar a decisao dele muito mais simples.
Vai sem mim.
Por que eu estou definitivamente e irremediavelmente exausta.
Me cansei. E estou pronta para jogar a toalha.

Hoje estabelecemos duas datas importantes:

1 Junho 2012 - decisao final sobre o futuro do nosso casamento
1 Setembro 2012 - Ultimo dia de Raimundo nesse pais

O unico problema e que eu estou disposta a acompanha-lo se ele tiver um emprego, mas brincar de adolescente e jogar os brinquedos fora do berco a essas alturas do campeonato, e no minimo ridiculo, e eu nao vou fazer parte desse circo.

Me parece que mais uma vez esses ultimatos nao passam de uma grande palhacada, sem peso nem forca nenhuma.

E o meu coracao sangra copiosamente...

E agora, Maria?

Acabei de completar 40 anos. Cheguei a idade onde  a vida teoricamente haveria de comecar, com o coracao partido e os sentimentos em frangalhos.
Aqui nesse blog, divido com voces minhas ansiedades, minhas angustias e meu sofrimento.
Nao tenho rosto nem sobrenome. Sou apenas mais uma Maria. E rezo para que esse blog deixe de ter razao para existir.
Por enquanto, a dor e imensa e eu nao sei se vou ter forcas para continuar essa caminhada.
Hoje, pela milionesima vez, resolvemos dar mais uma chance para o nosso casamento, que ja dura 17 anos, mas esta em estado terminal ha pelo menos um.
A conversa foi a mesma de sempre, as palavras foram repetidas, e a reacao depois do acordo de permanecermos juntos foi mais uma vez uma verdadeira cena de velorio.
Como e que um casal pode fazer um voto de lutar pela relacao, sem ao menos esbocar boa vontade ou um pingo de alegria?
O acordo agora vai vigorar ate 1 de Junho - quando esse blog vai deixar de existir por que a vida e boa, o amor existe e nos conseguimos superar a crise, ou ele vai passar a relatar o meu trajeto solitario em busca da felicidade.
No momento, as duas opcoes me parecem magicas. O que eu sinto, no meu estomago que doi, e que em 1 de Junho nos vamos estar fazendo exatamente o que fizemos hoje. Promessas sem conviccao e mais uma caminhada sem rumo.

Meu coracao doi. O dele tambem. Nao somos mas pessoas, mas ja nos magoamos demais. talvez nao haja salvacao. Nem em nome dos bons tempos, nem em nome das nossas filhas. Talvez esse seja apenas mais um daqueles fins dolorosos e sem graca - iguais a milhares de outros fins. Tristes. Vazios.

Espero estar errada.