Saturday, March 31, 2012

Tudo acontece muito rapido

Eu me sinto num grande turbilhao, sem ter controle da minha propria vida, sem saber o que o destino me reserva.
Eu moro no exterior. Nos todos moramos. Eu, marido, e as duas filhas. E nao pretendemos voltar ao Brasil. Juntos ou separados.
Hoje a situacao naoe sta muito boa no pais onde vivemos e temos que tomar algumas decisoes urgentes.
Decisoes estrategicas que vao definir boa parte do nosso futuro nao podems er tomadas em meio a esse redemoinho de emocoes e sentimentos.
Mas o tempo e cruel. Ele nao espera.O relogio continua correndo.
Meu marido, que vou chamar Raimundo, decidiu que nao quer mais viver aqui. Nao gosta, nao quer, nao vai.
Simples assim.
E mais uma vez a minha opiniao nao importa, nao interessa.
Hoje, durante a nossa briga, ele tomou a sua decisao:
- Com emprego ou sem emprego, vou embora daqui. Vou estabelecer uma data limite e vou embora!
Com a sua decisao tao firme, ele tomou uma por mim tambem. Sem emprego, eu tambem vou embora - mas nao vou com ele.
Depois de 17 anos, pela primeira vez eu vou fazer valer os meus sentimentos e as minhas emocoes. Se ele vai comigo ou sem mim, vou tornar a decisao dele muito mais simples.
Vai sem mim.
Por que eu estou definitivamente e irremediavelmente exausta.
Me cansei. E estou pronta para jogar a toalha.

Hoje estabelecemos duas datas importantes:

1 Junho 2012 - decisao final sobre o futuro do nosso casamento
1 Setembro 2012 - Ultimo dia de Raimundo nesse pais

O unico problema e que eu estou disposta a acompanha-lo se ele tiver um emprego, mas brincar de adolescente e jogar os brinquedos fora do berco a essas alturas do campeonato, e no minimo ridiculo, e eu nao vou fazer parte desse circo.

Me parece que mais uma vez esses ultimatos nao passam de uma grande palhacada, sem peso nem forca nenhuma.

E o meu coracao sangra copiosamente...

E agora, Maria?

Acabei de completar 40 anos. Cheguei a idade onde  a vida teoricamente haveria de comecar, com o coracao partido e os sentimentos em frangalhos.
Aqui nesse blog, divido com voces minhas ansiedades, minhas angustias e meu sofrimento.
Nao tenho rosto nem sobrenome. Sou apenas mais uma Maria. E rezo para que esse blog deixe de ter razao para existir.
Por enquanto, a dor e imensa e eu nao sei se vou ter forcas para continuar essa caminhada.
Hoje, pela milionesima vez, resolvemos dar mais uma chance para o nosso casamento, que ja dura 17 anos, mas esta em estado terminal ha pelo menos um.
A conversa foi a mesma de sempre, as palavras foram repetidas, e a reacao depois do acordo de permanecermos juntos foi mais uma vez uma verdadeira cena de velorio.
Como e que um casal pode fazer um voto de lutar pela relacao, sem ao menos esbocar boa vontade ou um pingo de alegria?
O acordo agora vai vigorar ate 1 de Junho - quando esse blog vai deixar de existir por que a vida e boa, o amor existe e nos conseguimos superar a crise, ou ele vai passar a relatar o meu trajeto solitario em busca da felicidade.
No momento, as duas opcoes me parecem magicas. O que eu sinto, no meu estomago que doi, e que em 1 de Junho nos vamos estar fazendo exatamente o que fizemos hoje. Promessas sem conviccao e mais uma caminhada sem rumo.

Meu coracao doi. O dele tambem. Nao somos mas pessoas, mas ja nos magoamos demais. talvez nao haja salvacao. Nem em nome dos bons tempos, nem em nome das nossas filhas. Talvez esse seja apenas mais um daqueles fins dolorosos e sem graca - iguais a milhares de outros fins. Tristes. Vazios.

Espero estar errada.